Os guardas do caminho
são corvos morcegos abutres
picam assustam devoram
e guardam
nós
como qualquer mutilado
corremos assustados picados devorados
guardados
na desordem
procuramos uma vacina um antídoto
que acalme o nosso espanto
que acalme o nosso medo
que acalme até depois
o nojo
que os guardas do caminho
fizeram que tivessemos de nós
e o fim da história é sempre o mesmo
nós
quase sempre ateus
acabamos por acabar
cantando
as tais aleluias...
Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas
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