sexta-feira, 19 de julho de 2013

Areia deserta...

...se em vez de não ser tudo como é
fosse só eu e tu
os loucos teimosos que a sangue frio
celebram as madrugadas
lúcidas e fúnebres
numa areia deserta
quente
movediça
e
nos distrai o amor
fabuloso
inesperado...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Apago as vogais infectas...

As noites são quentes prolongadas
o verão insulta-me com palavras ardentes
apago as vogais infectas 
que me confundem
com os desejos do corpo
que não é mais que uma pérola mortal
submetida aos caprichos mundanos do tempo
tão violento e nobre
como as paredes de mar...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Demasiado irreal...


Despertam acordados
raios de sol ridículos
lutam contra a madrugada
demasiado irreal
a madrugada em breve será mãe
o sol em breve pai
e tudo em breve será esquecimento,
mas a madrugada morre
morre de parto
nascem-lhe filhos
e não se fez amor
jogaram-se jogos de luz e trevas
jogaram-se sonhos e pesadelos
chegam outras madrugadas...



Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas


terça-feira, 2 de julho de 2013

Que me trazem perplexa

Pressinto o fim deste projecto de paraíso
habitado por disparos longínquos
onde as guerras do poder
políticas nucleares consagradas
eleitas pela cegueira
vão ensaiando hipóteses de futuro
e nos revestem numa comum humanidade
pois eu prefiro os raios
que me trazem perplexa
numa realidade mais viva quente
imaginada em mim desde a véspera do amanhã
que amanhã é inverno outra vez....

Ana Negrão Ferreira.

Divagações Nocturnas



domingo, 30 de junho de 2013

Já só tenho tudo por fazer

Entrego-me ao vento
sem querer saber do tempo

nos contratempos do mundo
vejo
a névoa adiada contorcendo-se

agora
já só tenho tudo por fazer
numa esfera gigante
que me corrompe
e me impede de gritar as palavras...

Ana Negrão Ferreira.

Divagações Nocturnas

sábado, 29 de junho de 2013

Desdobro os pensamentos

Da minha vontade indomável
desdobro os pensamentos
de mãos abertas para o mundo
anseio os sorrisos roubados da inocência
desespero o cheiro da primavera
ancorado nas aves raras
que gritam por uma liberdade incompreendida

numa fatalidade desconcertante

abro asas...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas