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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

..."o que seremos."

* Com Salomé Negrão *

"Não há transição que não implique um ponto de partida, um processo e um ponto de chegada. Todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje. De modo que o nosso futuro baseia-se no passado e se corporifica no presente. Temos de saber o que fomos e o que somos, para sabermos o que seremos."
Paulo Freire


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Caminhos...

"Guie uma criança pelo caminho que ela deve seguir e guie-se por ela de vez em quando."
(Josh Billings) - Com Salomé Negrão

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Amanhã talvez o mundo pare...

Escasseia o doce aconchego dos lares
a ternura súbita dos namorados
o livro que se escreve inflamado de certezas
amanhã talvez o mundo pare
talvez só hajam filas de magrinhos
jovens à procura de procurar
crianças em busca de fantasias imaginárias
somos a ponte do lado de lá
existe medo demais
e o céu já esgotou os seus sinais

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas






domingo, 14 de outubro de 2012

Encho a noite de música...

Medo esquisito
que só me traz fantasmas
meu corpo assustei-o
enervando ânsias
de difusos pensamentos
anunciando a morte

salvação
medo esquisito
faço-te amor
e amor me sinto
corpo quente
que estremece no meu leito
encho a noite de música
no escuro
beijo cantando..
.




Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Guardas do caminho...

Os guardas do caminho
são corvos morcegos abutres
picam assustam devoram
nós
como qualquer mutilado
corremos assustados
na desordem
procuramos uma vacina
que acalme o nosso medo
que acalme até o nojo
que os guardas do caminho
fizeram que tivéssemos
nós
quase sempre ateus
acabamos
a cantar as tais aleluias....

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sentença determinada...

O bem
o mal
vítimas inadiadas
sofrimento
sentença determinada
submundo
tipicamente humano...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

E vacilante recomeço...

Não sei onde estás dita vida
mas sei que te tenho presa em mim
porque tenho passado o tempo
a sonhar-te
a reinventar-te
estás algures acorrentada
a corrente que nos prende
não tem princípio nem fim
e vacilante recomeço
na madrugada de quem trabalha
para este mundo que escolhi como fim
arriscando-me a morrer de fome
por não existirem dicionários
nas vagas luas que navego
como um velho lobo do mar
que desce sempre à melancolia quotidiana...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas




domingo, 5 de agosto de 2012

Desenterrar o acto do saber...

É inadiável interromper o acto de sofrer
tirar o credo permanente da boca desta gente
e empenhá-la de fé com palavras densas de luz
é necessário não impedir os analfabetos de aprenderem
e desenterrar o acto do saber
chamam-me completamente inútil
porque crio apenas
talvez eu não seja mais que uma mera artista
ou uma mulher
ou um ser no meio da espécie...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



sábado, 21 de julho de 2012

Fosse eu uma hipótese de futuro...

Se eu não trouxesse ainda nas mãos
este frio de Janeiro
se eu não trouxesse em mim cicatrizadas
tantas promessas ao devaneio
se não fosse já tão tarde em mim
para amanhecer ou ir ao purgatório
se eu não amasse tanto a primavera
e se em vez de não ser tudo como é
fosse só eu a louca teimosa
fosse eu uma hipótese de futuro
e se o se não existisse
o que escrevo
nem sequer ecoava
e eu seria parida pela morte
e não pelo nascimento
proclamo urgente
nascer de novo...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas





sexta-feira, 20 de julho de 2012

O tempo que eu tiver...

Agora o tempo está perdido
e já só tenho tudo por dizer
Ah! Sim!
ainda direi que quando
o tempo que eu tiver
tiver chegado para nascer uma rosa dos ventos
hei-de eu por força ser
eu sou sem sombras, com sombras
maior que o meu minúsculo e cansado corpo
mas o tempo esse
que não pára de correr até
ficar toda nua neste mundo


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas





segunda-feira, 16 de julho de 2012

Expansão desta esfera complicada de pensar...

Largas mentes congestiono
enervando as ânsias de difusos pensamentos
entretanto espero atenta
a expansão desta esfera complicada de pensar
inscrita nesta dor diversa
mas numa ogiva excitam-se as urgências:
é urgente libertar as congestões
as têmporas-fronteiras rebentar
é urgente esbanjar todas as direcções
e vaguear por toda a parte
tudo aquilo que tenho ganho
em perder o tempo de ganhar
e o tempo que de menos vou ganhando
mas demais o ganha o lento tempo confundido
que a minha história talvez suja vai tecendo...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



quarta-feira, 11 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

E não choram as areias da praia...

Como eu lamento 
não ser como as areias da praia
calcadas pelas marcas
que os barcos trazem do mar
que os barcos levam ao mar
e não choram as areias da praia
desprezíveis insignificantes
que sabem quão inúteis seriam
as suas lágrimas roubadas pelo mar...
...como é tão mais fácil e doloroso
tão mais sóbrio e subtil deslocar-me
pelas ruas das ideias
à velocidade da poesia


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas









quarta-feira, 13 de junho de 2012

Que nos faz brilhar por contraste...

O sol brilha
a lua dorme
tu beijas-me, eu afago-te
tudo é composto de amor
sendo o ódio apenas
o lado negro da vida
que nos faz brilhar por contraste
como brilhamos agora
mortais, mas livres
de qualquer mácula
puros como crianças
e a absorver risadas


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



O corpo das minhas palavras...

O que não é livre não é belo
e é bela a poesia
eu
chego a não saber se prendo
a poesia ao meu mundo
se a obrigo contrafeita a suportar
o corpo das minhas palavras
ou se pelo contrário
é ela quem me escraviza aos seus caprichos
sei no entanto que de certa maneira
existo eu e existe a poesia
só não sei ao certo qual de nós é bela
porque uma de nós não é livre


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



quinta-feira, 7 de junho de 2012