segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mecânica exuberante

Estendo-me ao sol
longe dos olhos alheios
e da pequenez humana
aqueço-me ferverosa
sob o rigído outono
celebro a música
entre segundos e ritmos desejados

o brinde perfeito 
desconstruído elegante
secreto
talvez
o mistério de novas melodias
descritas no infinito
que sustenta a trama 
ou substância do ser,
uma espécie de
mecânica exuberante....

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

sábado, 8 de novembro de 2014

Melodia dos sinos

...dada a nossa condição hereditária
e da origem a que estamos sujeitos
obedecemos algures sem arbitrariedade
neste mundo convertido

à margem,
a áspera doçura do Universo que,
de quando em quando nos escapa e
nos mata a sede de sobrevivência
confundida com a melodia dos sinos 
essa matéria de que somos feitos
existência
força
movimento
queda
o abismo de sonhos
entre dúvidas
e dores por vencer...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

domingo, 19 de outubro de 2014

Brisa

...mas era tão cedo e tão tarde
fiquei a olhar para o relógio
cruzei as pernas, olhei-te
pisei a ansiedade de correr para ti
tocar-te triste
húmida como a melancolia do tempo
dos guarda-chuvas que me ferem
os olhos perdidos
por entre a multidão,
lá ias tu
embrulhada numa trama
eu,
perdi-me de ti nos pensamentos...


Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Brancura

Uma manhã estranha,
guardado 
fica a brancura
e algum vestígio
empurrado pelo tempo
sim
o nu preconceito de não nos conhecermos
eu estava só e tu também

adivinhei-te
imaginei-te a nascente sem tabus
nem ruídos velozes
como a experiência de qualquer mortal que ignora a melodia da poesia,
mas

amar será sempre
uma certa forma de loucura
enquanto não for inventada
uma forma inquestionável e universal 
de normalidade...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas



domingo, 12 de outubro de 2014

Novos elementos

Fico deste lado
corro a aventura 
da solidão perpétua
calma de tudo absorta de tudo
olho rios, pontes e barcos
pescadores, gaivotas e peixes exilados

mar
amo-o sempre
até no brilho da noite  
a perspectiva contorcida
de novos elementos 
e de cores 
tão estranhamente decoradas...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

sábado, 11 de outubro de 2014

Condição

Necessito da luz
fora das sombras alheias
baças
que me impeçam conhecimento
misterioso inesperado
como a melodia ouvida pela primeira vez
no obscuro pensamento


é ele quem me faz pensar
em renovação eterna

atómica 
da minha própria condição....

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Canto das Rosas


Ardo extinta
redescubro o fogo


no amor revestido
sempre 

a cor do desgosto
consoante a minha distracção

e,
 
o canto das rosas...

Ana Negrão Ferreira
 Divagações Nocturnas



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Realidade intemporal

Os guardas do caminho
são corvos morcegos abutres
picam assustam devoram
e guardam
nós 
como qualquer mutilado
corremos assustados picados devorados
guardados

na desordem
procuramos uma vacina um antídoto
que acalme o nosso espanto
que acalme o nosso medo
que acalme até depois 
o nojo 
que os guardas do caminho
fizeram que tivessemos de nós
e o fim da história é sempre o mesmo

nós
quase sempre ateus
acabamos por acabar
cantando 
as tais aleluias...

Ana Negrão Ferreira
Divagações Nocturnas

 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Exposição Colectiva

"5.º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ARTE AO REDOR DO TOURO", a realizar na Galeria Vieira Portuense, de 6 de Setembro a 4 de Outubro
Neste encontro expõem-se obras, de artistas nacionais e estrangeiros, em escultura, pintura, tapeçaria e desenho."

GALERIA VIEIRA PORTUENSE
Largo dos Lóios, 50
4050-338 Porto


www.galeriavieiraportuense.net